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Petróleo: produção no Brasil crescerá até 80% em 10 anos

Dados, divulgados nesta quarta-feira (30), pela ANP, apontam que Pré-sal responde por 74,9% de toda a produção brasileira (Reprodução)

Estimativas apontam que a produção nacional de petróleo crescerá 80% nos próximos dez anos. Passará de 3 milhões de barris por dia registrados em 2022 para 5,4 milhões de barris diários, em 2029. Em 2032, alcançará 4,9 milhões de barris por dia.

Os números não resultam de especulações a respeito de descobertas de campos petrolíferos, ou mesmo, do avanço sobre novas fronteiras exploratórios, caso da Margem Equatorial, que inclui a foz do Amazonas. Essa produção, afirma o professor Helder Queiroz, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), já está, em grande medida, “contratada”.

Ela é o resultado do aumento da produtividade de áreas já em exploração e da entrada de novas plataformas em atividade nessas regiões. “E todo o crescimento está fortemente concentrado no pré-sal”, diz Queiroz. Hoje, na prática, isso já ocorre. Da produção nacional, pouco mais de 70% têm origem nas reservas petrolíferas em águas profundas e ultraprofundas (a cerca de 7 mil metros da superfície do mar).

Vedete do pré-sal

No quesito produtividade, por exemplo, uma das vedetes desse boom petrolífero é o Campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. É um fenômeno. Trata-se do maior campo do mundo em águas profundas

No início de julho, Búzios acumulou a produção de 1 bilhão de barris de petróleo em cinco anos de atividade. Isso equivale a uma média diária de 550 mil barris por dia. Hoje, esse número diário está em torno de 700 mil. “Mas especialistas acreditam que pode chegar a 2 milhões de barris por dia nos próximos cinco anos”, diz Queiroz.

Para dar uma ideia do quão formidável é esse patamar de 2 milhões a cada 24 horas, basta dizer que a produção total do Brasil no ano passado foi de 3 milhões de barris por dia. Ou seja, em cinco anos, Búzios representará mais de 60% da atual extração nacional de petróleo. O campo tem hoje quatro plataformas em operação, mas terá 11. Quatro estão em processo de construção e os contratos para obras de outras três foram assinados pela Petrobras.

Peso econômico

E qual o impacto desse salto? Na avaliação do economista João Victor Marques Cardoso, pesquisador do Centro de Estudos de Energia da Fundação Getulio Vagas (FGV Energia), ele se espalha pelas áreas econômica, geopolítica e, à primeira vista de forma contraditória, alcança a discussão sobre sustentabilidade.

O peso econômico do boom é inequívoco – e parrudo. O setor de óleo e gás representa 15% do Produto Interno Bruto da indústria no país, emprega cerca de 1,5 milhão de pessoas na cadeia de produção e desembolsou R$ 170 bilhões em tributos em 2021. Esses números, com a maior produção, vão inflar. Haja vista a previsão de investimentos. “Os novos aportes no setor devem somar US$ 180 bilhões até 2030”, diz Cardoso.

A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) calcula que a arrecadação com royalties e participações especiais – que têm como destino a União, além de estados e municípios nos quais há produção de petróleo – deste ano será de R$ 93 bilhões. Em 2026, o limite da projeção ANP, ela chegará a R$ 108,5 bilhões.

Geopolítica

Além disso, hoje, o Brasil é o nono maior produtor de petróleo do mundo. Até o fim desta década, deve ocupar a quinta posição nesse ranking. Para o pesquisador do FGV Energia, essa mudança de status tem um desdobramento geopolítico adicional.

“Atualmente, os principais polos de produção de óleo e gás do mundo estão cercados por um contexto muito complexo, como o Oriente Médio, a Rússia e alguns países africanos, que convivem com tensões sérias”, diz Cardoso, acrescentando que, não raro, esses problemas descambam para conflitos. “Já o Brasil terá um volume relevante de produção e será uma fonte mais confiável de fornecimento do produto sob esse ponto de vista”.

 

 

Com informações Metrópoles

Câmara

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